quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

HOMECOMING


Olhando para o chão, em um dos mapas de Henry que eu havia deixado aberto, imediatamente reconheci a formação rochosa que Dimitri mostrava. Ela era grande e ampla, com algo que parecia ser uma pequena falha entre a rocha e o penhasco. Se havia alguém escondido ali e nos espionando, seria possível esgueirar-se por trás e pegar o espião de surpresa. Eu fiz um gesto indicativo para mim e apontei para a formação de cavernas do mapa. Dimitri balançou a cabeça negativamente e apontou para ele mesmo. Eu olhei para ele, começando a protestar, mas Dimitri gesticulou para mim e Mark. Daquela forma estranha que tínhamos de, às vezes, pensar nas mesmas coisas, imediatamente soube o que ele estava dizendo. Eu e Mark estávamos conversando quando Dimitri ouviu o som que o assustou. Era necessário continuar a conversa, a fim de manter o disfarce diante daquela ameaça em potencial. Relutante, eu cedi a Dimitri.
Ele se esquivou para longe, silencioso como um gato. Eu me virei para Mark, tentando lembrar sobre o que nós estávamos conversando. Os Estados Unidos – eu estava tentando convencê-lo a nos visitar por alguma razão. Falar. Eu precisava falar e criar alguma distração. Então, soltei freneticamente a primeira coisa que me veio à mente.
—Então, sim, Mark... Se você, hum, viesse nos visitar, poderíamos sair para comer e você poderia conhecer a culinária americana. Sem repolho. — Eu dei uma risada inquieta, tentando não olhar para Dimitri, que se esgueirava por um canto rochoso. —Poderíamos, sabe, ir comer cachorro quente. Não se preocupe. Não é um cachorro de verdade. Só no nome. É feito de um tipo de bolo de carne com pão – então você cobre com um monte de outras coisa e...
—Eu sei o que é um cachorro quente, — Mark interrompeu, seu tom era leve, para o bem do nosso observador, mas sua estaca tinha sido substituída por uma faca withlling.
—Você sabe?— Eu perguntei, verdadeiramente surpresa. —Como?
—Nós não somos tão isolados assim. Nós temos TV e filmes. Além do mais, eu já sai da Sibéria, sabe. Eu já fui para os Estados Unidos.
—Sério?— Eu não tinha conhecimento disso e queria saber um pouco mais sobre esta história. De verdade. —Você tentou uma carroça de cachorro quente?
—Não.— Seus olhos estavam fixos onde Dimitri tinha desaparecido, mas logo ele voltou-se para mim. —Me ofereceram um... Mas não parecia tão apetitoso.
—O quê?— Eu exclamei. —Que blasfêmia. É delicioso.
—Eles não são feitos de carne de animal prensada?— Ele soltou.
—Bem, sim... Acho que sim, mas continua sendo salsicha.
Mark balançou a cabeça. —Eu não sei. Parece que tem algo de errado com o cachorro quente.
—Algo errado? Eu acho que você quis dizer tudo certo. Eles são como...
Minha indignação foi interrompida por um grito, lembrando-me que o meu propósito ali não era a defender um dos melhores alimentos do universo. Mark e eu nos movemos como um, ambos correndo na direção das pedras, fonte do ruído. Lá encontramos Dimitri pressionando contra o chão um cara se contorcendo, usando jaqueta de couro e jeans desgastados. Eu não podia dizer muito sobre ele, pois Dimitri estava apertando o rosto dele contra o chão sujo. Vendo-nos, Dimitri relaxou um pouco, permitindo que o cara olhasse para cima. Foi quando eu pude ver que ele tinha mais ou menos a minha idade – e era humano.
Ele olhou para mim e para Mark, mais precisamente para as nossas estacas de prata. Com os olhos cinza-azulados arregalados, o cativo começou a balbuciar algumas palavras em russo. Mark franziu a testa e fez uma pergunta, mas não abaixou sua estaca. O humano respondeu, soando quase em pânico. Dimitri fez um ar de zombaria e o soltou completamente. O humano se levantou, batendo a terra de sua bunda. Mark fez um comentário em russo e Dimitri respondeu com uma risada.
—Por favor, será que alguém pode me dizer o que está acontecendo?— Eu exigi. —Em inglês. — Para minha surpresa não foram meus amigos que responderam.
—Você... Você é americana!— O garoto exclamou, olhando para mim com admiração. Seu sotaque era bastante carregado. —Eu sabia que a fama do Blood King tinha se espalhado, mas não sabia que já tinha ido tão longe.
—Bem, não foi. Não exatamente, — eu falei. Percebi que Dimitri e Mark haviam guardado as suas estacas. —Coincidiu de eu estar pelas redondezas.
—Eu já lhe disse,— Dimitri se dirigiu ao humano. —Este não é um lugar para você. Vá embora.
O garoto negou com a cabeça, fazendo seus cabelos loiros parecerem ainda mais desarrumados. —Não! Nós podemos trabalhar juntos. Estamos todos aqui pela mesma razão. Estamos aqui para matar o Blood King.
Eu olhei de forma questionadora para Dimitri, mas ele não demonstrou nada. —Qual o seu nome?— Eu perguntei.
—Ivan. Ivan Grigorovitch.
—Ivan, eu sou Rose, nós apreciamos a sua oferta de ajuda, mas esse é um assunto nosso. Não há necessidade de você ficar por aqui.
Ivan parecia cético. —Vocês não pareciam que tinham tudo sob controle. Parecia mais que estavam fazendo um piquenique.
Eu reprimi uma careta. —Nós estávamos nos preparando para entrar em ação.
O rosto dele se iluminou. —Então, eu cheguei na hora certa.
Mark suspirou, claramente sem paciência com isso. —Garoto, isso não é uma brincadeira. Você tem alguma ideia do que seja isso?— Ele puxou a estaca de prata novamente, fazendo com que ela refletisse a luz. Ivan ficou boquiaberto. —Eu acho que não. Deixe-me adivinhar. Você tem uma estaca de madeira, certo?
Ivan corou. —Bem, sim, mas eu sou muito bom.
—Muito bom em tentar se matar, — Mark declarou. —Você não tem habilidades ou armas para isso.
—Ensinem-me,— Ivan disse ansiosamente. —Eu já disse que estou disposto a ajudar. Eu sempre sonhei com isso – estar com famosos caçadores de vampiros.
—Essa não é uma excursão de campo, — Dimitri falou. Como Mark, ele não se dirigiu a mais Ivan com diversão. —Se você não deixar essa área agora, nós mesmos iremos lhe expulsar.
Ivan saltou aos seus pés. —Eu posso ficar... Eu posso ficar... Como você pode saber que não precisará da minha ajuda? Eu conheço tudo sobre vampiros. Ninguém da minha aldeia leu tanto sobre isso como eu.
—Vá. — Dimitri e Mark falaram ao mesmo tempo.
Ivan se foi. Nós três observamos quando ele passou pelos obstáculos rochosos, a fim de voltar para a estrada principal.
—Idiota, — murmurou Mark, colocando sua estaca de volta na cintura e caminhando para o lugar onde estava sentado antes. Depois de alguns momentos, eu e Dimitri o seguimos.
—Eu me sinto mal por ele, — comentei. —Ele parecia tão... Eu não sei, entusiasmado. Mas eu também começo a ver por que Henry está pirando tanto. Se todos os humanos especialistas em vampiros que vem até aqui são como ele, eu entendo o porquê deles estarem sendo mortos.
—Exatamente, — Dimitri falou, com seu olha fixo na figura de Ivan que se distanciava. Estava quase impossível de vê-lo agora, através do afloramento rochoso. —Esperamos que ele volte para a sua aldeia e invente uma história fantástica de como ele matou sozinho o Blood King.
—É verdade, — eu disse. —O fato é que nós vamos ter feito isso, fazendo com que todos acreditem nele, quando perceberem que o vampiro não existe mais.
Ainda assim, acomodada no nosso acampamento improvisado, não conseguia esquecer o olhar vidrado de Ivan e nem como que tinha falado a respeito de matar o Blood King. Como tantas pessoas podiam ter uma atitude tão ingênua? Isso era frustrante. Eu cresci com a ideia de que a luta contra Strigoi era um dever, uma responsabilidade. Não era algo para ser tratado como uma brincadeira.
Eu e Mark finalmente retomamos nosso debate sobre cachorros quentes, para grande diversão de Dimitri. Ele tendia a concordar com Mark, o que eu achei chocante. Só me restava culpar a culinária de onde eles tinham sido criados por tais pontos de vistas equivocados. Apesar da conversa fluir fácil, eu podia sentir a tensão em todos nós, à medida em que o sol começava a se mover para o horizonte. Voltamos a segurar nossas estacas de prata, e mesmo antes da escuridão cair, nossos olhos analisavam constantemente os arredores. As sombras cobriram as paredes de pedra em volta de nós, transformando-as em algo misterioso e ameaçador.
Nós tínhamos trazido duas lanternas elétricas e elas ajudaram a diminuir a escuridão. Sendo dhampir, nós não precisávamos tanto de luz como os seres humanos, mas ainda precisávamos. As lanternas apenas serviram para ajudar nossos olhos, sem cegar a nossa visão periférica, como seria com uma fogueira. Logo, o céu estava completamente escuro e nós sabíamos que era a hora na qual os Strigois podiam andar livremente. Ninguém duvidava que ele viria até nós. A questão era se ele iria esperar a nossa guarda baixar ou se ele atacaria de repente. Com o passar do tempo, a primeira opção era a mais provável.
—Você sente alguma coisa?— Perguntei a Mark. Aqueles que eram shadow-kissed sentiam náuseas quando Strigois se aproximavam.
—Ainda não, — ele murmurou de volta.
—Deveríamos ter trazidos marshmallows,— eu brinquei. —É claro, neste caso teríamos que ter feito uma fogueira, com certeza...
Um grito ensurdecedor rasgou a noite.
Com um pulo, fiquei em pé, estremecendo. O problema em se ter uma audição superior era que qualquer ruído se tornava realmente alto. Meus companheiros também se levantaram, com suas estacas prontas. Mark franziu o cenho.
—Algum truque do Strigoi?
—Não, — eu disse, indo na direção que tinha vindo o grito. —Isso foi Ivan.
Mark xingou em russo, algo que eu tinha acostumado ouvir Dimitri falar. —Ele nunca foi embora.
Dimitri segurou meu braço, me detendo. —Rose, ele está em uma das cavernas.
—Eu sei,— eu já tinha percebido isso. Eu me voltei para Dimitri. —Mas que escolha nós temos? Não podemos deixá-lo lá.
—É exatamente isso que nós deveríamos evitar,— Dimitri falou severamente.
—E provavelmente isso é uma armadilha preparada pelo Blood King,— acrescentou Mark, na mesma hora em que outro grito soou. —E nos quer, mas é inteligente demais para vir nos pegar.
Eu fiz uma careta, sabendo que Mark estava certo. —Mas isso também significa que ele não vai matar Ivan imediatamente. Ele só vai mexer com ele, para nos atrais até lá dentro. Há uma chance de podermos salvar Ivan.— Eu joguei minhas mãos para o alto, quando ninguém respondeu. —Vamos! Como vocês podem deixar um garoto inapto morrer?
Não, claro que eles não podiam. Dimitri suspirou. —Este é o lugar que nós vimos nos mapas das cavernas. É a melhor posição para uma emboscada.
—Não seja tão meticuloso, Camarada,— eu falei, voltando a caminhar em direção á caverna. —Nós podemos ir para a frente da entrada. Pelo menos até onde Mark nos der o alerta.
Uma discussão começou, entre nós, para decidir quem lideraria e quem ficaria atrás, levando a lanterna. Dimitri e Mark vieram com argumentos do porque deles irem à minha frente. Mark alegou que era por ele ser mais velho e sua vida mais dispensável, o que era ridículo. Já o raciocínio de Dimitri era de que ele estaria seguro, graças a profecia de Yeva. Isso tinha sido ainda mais ridículo, e eu sabia que ele só havia falado isso para me proteger. No entanto, no final das contas, eu acabei vencida, tendo que ir atrás deles.
A mais profunda escuridão da noite nos envolvia a cada passo que nós dávamos caverna adentro. A lanterna ajudava um pouco, mas apenas iluminava uma curta distância à nossa frente, nos orientando para o desconhecido. Nenhum de nós falou, mas eu tinha a sensação de que todos pensavam a mesma coisa. Os gritos tinham parado. Isso podia significar que Ivan estivesse morto. Era certo que o Blood King queria que nós entrássemos o máximo possível nas cavernas.
O problema se apresentou quando chegamos a uma bifurcação do túnel. Ela não só significava que tínhamos que escolher um caminho, como também significava que o Blood King tinha uma chance potencial de nos encurralar.
—Por qual caminho?— Murmurou Dimitri.
Eu olhei para as duas opções. Um lado era mais estrito, mas isso não dizia nada. As linhas fortes do rosto de Mark marcavam seus pensamentos, e então ele indicou o túnel mais largo. —Este. Ainda é fraco, mas posso sentir que ele está lá.
Nós três corremos para o lado que ele indicou, que foi crescendo mais e mais até terminar em um amplo ambiente, com outros três túneis que o alimentavam. Antes que qualquer um de nós tivesse a oportunidade de perguntar por onde seguiríamos, algo forte bateu em mim, me derrubando. A lanterna voou da minha mão, rolando pelo chão, parando milagrosamente intacta.
O instinto me fez seguir a lanterna. Eu não tinha ideia de onde meu inimigo tinha vindo, mas eu rolei pelo chão da caverna. Esta tinha sido uma boa escolha, pois meio segundo depois, eu tive o primeiro vislumbre do Blood King. As histórias eram verdadeiras. Ele era bastante velho. É claro, a aparência dos Strigois não mudavam com o tempo, mas de relance, este cara parecia alguém em torno dos quarenta anos. Como todos os Strigois, ele tinha a pele assustadoramente branca e o olhar mortal. Se a iluminação fosse melhor, eu tinha certeza que também poderia ver o anel vermelho em seus olhos. Ele tinha um longo bigode e seus cabelos pretos desciam até os ombros, com algumas mechas grisalhas, parecendo alguém que você via na época imperial da Rússia. Mas foi mais do que um corte de cabelo antiquado que marcou a sua idade. Havia algo naquele Strigoi que você podia sentir, como se uma maldade antiga estivesse incrustada em seus ossos. Além disso, quanto mais velho também era maior sua velocidade e força.
E cara, como esse sujeito era rápido. Ele se lançou para o lugar onde eu tinha caído, batendo com uma força suficiente para quebrar o meu pescoço. Vendo que eu tinha escapado, ele não perdeu tempo em me perseguir novamente, mas eu fugi correndo. Eu era rápida, mas não tão rápida quanto ele, então, ele consegui agarrar a manga da minha blusa. Antes que ele conseguisse me puxar para ele, Dimitri e Mark partiram atrás dele, forçando o Blood King a me soltar. Meus companheiros eram muito bons – estavam entre os melhores – mas exigiu cada pedaço das suas habilidades para se manterem no mesmo ritmo dele. Ele se esquivava a cada golpe, sem esforço, com a facilidade de um dançarino.
Eu pulei, ficando em pé, pronta para ajudar, quando ouvi um gemido vindo de um dos túneis. Ivan. Eu queria entrar na luta, mas Dimitri e Mark estavam apenas bloqueando os ataques do Blood King, forçando o grupo a passar para o outro lado me colocando à margem deles e do Strigoi. Sem uma clara abertura para mim, eu tomei a decisão de resgatar um inocente, confiando nas habilidades de Mark e Dimitri. No entanto, antes de entrar em uma das ramificações do túnel, não pude deixar de lançar um olhar inquieto para Dimitri. Mais uma vez lembrei-me que um tempo atrás, tinha sido em uma caverna assim que ele tinha sido mordido e forçosamente transformado em um Strigoi. O pânico começou a tomar conta de mim, juntamente com uma necessidade quase irracional de me atirar na frente de Dimitri.
Não, eu disse para mim mesma. Dimitri e Mark podem lidar com isso. Eles são dois contra apenas um Strigoi. Não é como daquela vez. Outro gemido de Ivan me incentivou a entrar em ação. Até onde eu sabia, ele podia bem estar sangrando até a morte em algum lugar. Quanto mais cedo eu o ajudasse, mais chance ele teria de sobreviver. Sair atrás de Ivan, significava que eu teria que abandonar a lanterna, já que Dimitri e Mark precisavam mais dela do que eu. Além disso, o túnel era bastante estreito, de uma forma que eu podia tocar ambos os lados com as mãos, e isso me daria um bom senso de direção.
—Ivan?— Eu chamei, com um pouco de medo de tropeçar nele.
—Aqui, — a voz respondeu. Era surpreendente como estava perto de mim. Eu diminui meu ritmo, tateando à minha frente, na esperança de senti-lo. Momentos depois, eu toquei em um cabelo e uma testa.
—Ivan, você está bem?— perguntei. —Você pode ficar em pé?
—...Eu acho que sim...
Eu esperava que sim. Incapaz de ver ele, eu não tinha ideia se havia sangue jorrando bem na minha frente. Eu encontrei a sua mão e o ajudei. Ele se apoiou em mim, mas parecia ter o controle de suas pernas, o que eu considerei como um bom sinal. Devagar, fizemos o caminho de volta, com estranhas manobras pelo túnel estreito, para onde a luta se travava. Quando chegamos, me desanimei em ver que o Blood King ainda estava vivo.
—Descanse aqui,— eu disse a Ivan, o encostando em uma parede. A condição dele não era tão crítica como eu temia. Ele parecia como se estivesse sido – literalmente – atacado diversas vezes pelo Blood Kind, mas nenhum de seus cortes ou contusões pareciam graves. Eu esperava que ele se sentasse para que eu pudesse me focar na luta, mas em vez disso, os olhos de Ivan se arregalaram quando ele viu a batalha. Com uma energia que eu não acreditava que pudesse ter, ele se jogou para frente, com a sua estaca de madeira ridícula, apontando para as costas do Blood King.
—Não!— Eu gritei, correndo atrás dele.
Sua estaca não conseguiu perfurar a pele, é claro. Ele nem sequer conseguiu ferir o Blood King. O que resultou, no entanto, foi que o Strigoi deu um segundo de pausa na luta, arremessando Ivan para longe. Ele atravessou a caverna, batendo com força contra uma parede. Foi o tempo de uma batida de coração. Dimitri e Mark agiram com uma eficiência impecável, indescritível. Dimitri serpenteou um chute nas pernas do Blood King, enquanto Mark avançava, afundando a estaca no coração do velho Strigoi. O Blood King congelou. Nós prendemos coletivamente a nossa respiração, enquanto o choque cruzava o seu rosto. Então a morte o levou e o seu corpo caiu para frente.
Eu respirei fundo e imediatamente olhei para Dimitri, querendo verificar se ele estava bem. Mas é claro que ele estava. Ele era o meu bravo deus da batalha. Seria preciso mais do que um Strigoi super resistente – ainda por cima com um nome melodramático – para derrubá-lo. Mark aparentava igualmente bem. Do outro lado da caverna, Ivan parecia atordoado, mas ileso. Ele nos observava com admiração e os seus olhos brilharam quando encontrou o meu olhar. Ele levantou a sua estaca de madeira, com uma espécie de saudação simulada e sorriu.
—De nada, — ele falou.

Descobrimos mais tarde que uma das razões por Ivan não ter deixado a área quando mandamos – além do seu idiota senso de heroísmo – foi que ele não sabia por onde voltar. Alguns de seus amigos tinham o deixado ali, prometendo voltar dentro de dois dias para ver se ele estava vivo ou morto. Nós não podíamos deixá-lo lá naquele estado tão surrado, então tivemos que fazer uma viagem de duas horas para levá-lo para casa. O tempo todo, Ivan ficou se gloriando de ter salvado a Dimitri e a Mark bem na hora certa e que eles teriam morrido se não fosse por ele.
Lembrá-lo de que era pura sorte estar vivo agora, parecia inútil. Nós deixamos que ele falasse e ficamos aliviados ao chegar à sua vila, um lugar que fazia Baia parecer a cidade de Nova Yorque.
—Às vezes eu ouço relatos de outros vampiros, — ele disse, enquanto descia do carro. —Se vocês quiserem, eu deixo vocês se juntarem a mim, da próxima vez.
—Impressionante, — eu falei.
A única pessoa mais irritante que Ivan era Yeva. Depois de cinco minutos com ela, eu já estava desejando estar novamente no carro com Ivan.
—Então, — disse ela, sentada na sua cadeira de balanço na casa dos Belikovs, como se fosse um trono. —Parece que eu estava certa.
Eu desabei no sofá, ao lado de Dimitri, sentindo meus ossos cansados e desejando poder dormir por umas doze horas. Mark já tinha ido para casa de Oksana. Mesmo assim, eu ainda tinha bastante coragem para argumentar de volta.
—Não, exatamente,— repliquei, tentando manter um sorriso de satisfação em meu rosto. —Você disse que Dimitri mataria oBlood King. E não foi ele. Foi Mark.
—Eu disse que uma pessoa que tinha trilhado o caminho da morte o faria,— ela disse. —Mark também passou pela morte e reviveu.
Eu abri a minha boca, começando a negar, mas ela tinha um ponto. —Tudo bem, mas quando Victoria disse que Dimitri faria, você não negou.
—Eu não confirmei que seria.
Eu gemi. —Isso é ridículo! Essa previsão não significou nada. Inferno, ela poderia ter sido aplicada a Ivan, já que ele quase morreu por causa do Blood King.
—Minhas profecias mostram muitas coisas,— respondeu Yeva, que era exatamente o mesmo que não responder nada. —A minha próxima é particularmente interessante.
—Um-huh,— eu disse. —Deixe-me adivinhar. ‘Uma jornada’. Isso poderia significar eu e Dimitri voltando para casa. Ou Olena indo ao supermercado.
—Na verdade,— disse Yeva. —Eu vejo um casamento, no futuro.
Victoria que estava ouvindo a conversa com diversão, bateu palmas. —Oh! Rose e Dimka!— Suas irmãs acenaram com excitação.
Eu olhei incrédula. —Como você pode dizer isso? Pode significar qualquer coisa também. Alguém na cidade pode estar casando agora. Ou talvez pode ser Karolina – vocês não disseram que ela tem um namorado sério? Se for eu e Dimitri, será somente daqui há alguns anos, o que você certamente irá afirmar que previu, já que falou que seria no futuro.
Ninguém mais me ouvia, no entanto. As mulheres Belikovs já conversavam animadamente, fazendo planos, especulando se o casamento seria aqui ou nos Estados Unidos, e como seria bom ver Dimitri —finalmente sossegado.
Eu gemi novamente, me inclinando contra ele. —Inacreditável
Dimitri sorriu e passou o braço em volta de mim. —Você não acredita em destino, Roza?
—Claro, — eu disse. —Só não nas previsões vagas da sua avó maluca.
—Não soa maluco para mim, — ele brincou.
—Você é tão maluco quanto ela.
Ele beijou o topo da minha cabeça. —Eu tinha a sensação que você diria isso.





  


Nenhum comentário:

Postar um comentário